Prazer é pensar: sobre a pintura de Heleno Bernardi

setembro 17, 2020 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi

O artista Heleno Bernardi, caminhando entre as telas mais recentes de sua produção: prazer e reflexão

Por Paulo Sergio Duarte

O problema na arte é exatamente este: como sentir prazer e, ao mesmo tempo, pensar sobre o que está vendo, e é a isso que somos submetidos diante das telas de Heleno Bernardi. Sua pintura exibe força e tensão junto com a riqueza cromática. Numa mesma tela podemos apreciar essas qualidades associadas às diferentes direções que atuam como bússolas do olhar. Efetivamente, orientam-nos. O olhar é esticado, tem de estar aqui e ali ao mesmo tempo. Percorre a tela em tempos diferentes, às vezes acelera-se, outras vezes caminha devagar. Estamos diante de um rigoroso e esmerado domínio técnico a serviço de uma poética. Essa prática deriva de um pensamento que domina cada passo à luz de um extenso conhecimento da história da arte moderna e contemporânea e mais: de uma reflexão que afirma o que ele quer e não quer na sua pintura.

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Tua direção é a deriva: uma leitura sobre nosso stand no SP-Arte Viewing Room

agosto 21, 2020 | Crítica, ensaio, Daniel Jablonski, Feco Hamburger, Kika Levy, Pablo Ferretti

Caspar David Friedrich, O Caminhante sobre Mar de Névoa, 1818

Por Cadu Gonçalves

O Caminhante sobre Mar de Névoa, pintura à óleo de Caspar David Friedich de 1818, retrata um homem, de casaco preto e bengala na mão direita, de costas ao observador. Esse homem de identidade oculta está na beira de algo que parece um abismo, não se sabe se é o topo de uma montanha ou uma pedra que avança sobre o mar, só se vê que ele está à beira de algo e que o único caminho é o horizonte, com o imenso céu de referência. A névoa é um mistério sob seus pés e diante dos seus olhos. Essa nuvem perto do chão permite uma experiência de céu; a suspensão de gotículas de água, tornando líquido o vapor, altera rotas de navegação, paralisa o tráfego aéreo e instaura a deriva e a espera, tal e qual a história da orixá Euá, na cultura iorubá, cujo poder ao se transformar em névoa faz cessar a matança dos homens ao tirar deles a capacidade de enxergar com nitidez.

Com o nevoeiro, o olhar força-se a reconhecer a paisagem, que é esmaecida e confusa, mas reconhecível por seu recorte junto ao céu, assim como as gravuras de Kika Levy na série 360º (2019), que são ao navegante perdido a esperança de terra firme. A artista indica a imagem pelo contorno das montanhas, cuja forma feita por recortes em metal carregam a cada impressão o apagamento de sua cor, já que Levy extrai os azuis da tinta até sua inexistência. Ou pelo isolamento da figura, a exemplo de Bunker (2020), onde a imagem é a pele dos abrigos subterrâneos madrilenhos usados durante a Guerra Civil Espanhola; a textura das paredes é indício e imagem.

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Organismo: Siri, transcendental

junho 11, 2020 | Crítica, ensaio, Exposições, Ricardo Siri

Ricardo Siri, Pindorama 02 (2020), colmeia e cera de abelhas, 17 x 46 x 2,5 cm

Por Ubiratan Muarrek

Emergiu do movimento neoconcreto a ideia da obra de arte como “quase corpus” e “organismo vivo” e a retomada das qualidades afetivas, da sensibilidade e da significação existencial e emotiva da arte. Um projeto ambicioso, tendo em vista o domínio de um certo racionalismo no período imediatamente anterior, que “rouba à arte toda a autonomia e substitui as qualidades intransferíveis da obra de arte por noções de objetividade científica” (Manifesto Neoconcreto). Para os neoconcretistas, como Hélio Oiticica e Lygia Clark, tratava-se de dinamitar as noções de tempo-espaço e criar a experiência da arte: a comunhão de matéria, forma, significado, relação e afeto, dando à experiência estética um caráter quase epifânico, a partir do contato entre artista-objeto-espaço-público. A totalidade da experiência de arte proposta pelo movimento não poderia ter outro destino que não fosse a expansão; daí sua forte influência em outras esferas culturais e comportamentais, das quais a música, com o movimento tropicalista, tenha sido, talvez, a mais exemplar.

É a partir dessa trilha que podemos situar uma obra como a do carioca Ricardo Siri que, a partir de uma carreira estabelecida no universo musical, expandiu seu repertório para as artes visuais, na qual incorpora elementos sonoros, performances e imersões. Siri atualiza certos pressupostos neoconcretos de um todo orgânico para a experiência da arte, em uma abordagem espacial e temporal que une artista-obra-espaço-ambiente-espectador.

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Por Um Fio: a imagem da travessia, de Helena Martins-Costa

abril 11, 2020 | Crítica, ensaio, Helena Martins-Costa

Videoinstalação Por Um Fio, de Helena Martins-Costa: travessia sob tensão

A vertigem provocada pelo ato de caminhar por um fio. A ideia da série Por Um Fio, de Helena Martins Costa, é extemporânea e universal, e ao mesmo tempo pungentemente atual. Evocando o risco, a beleza e a fé na capacidade humana de seguir sua travessia, Por Um Fio trabalha o limite, a situação extrema, onde um frágil equilíbrio sustenta algo que está à beira do abismo. A série compreende um conjunto de oito imagens fotográficas e uma vídeo-instalação.

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Ricardo Siri: Instrumentos, formas, escalas, esculturas, escutas variáveis, palavras

fevereiro 15, 2020 | Crítica, ensaio, Ricardo Siri

O artista sonoro e visual Ricardo Siri

Por Ricardo Resende *

Para Walter Smetak, executar música é uma forma de loucura. **

Siri, apelido da época do colégio, músico que sempre estudou música, vive a música desde sempre. Trabalhou com música desde quando, ainda criança, tocava e tirava sons de latas. Qualquer uma que caísse em suas mãos se transformava em algo possível de extrair som.

A sua inteligência de inventar paisagens sonoras vem daí, dessa ludicidade de criança em criar com tudo que lhe despertasse a curiosidade provocada por qualquer som ou ritmo: a pronúncia das palavras, os sons emitidos pelos homens, pelos animais e dos elementos naturais do mundo, como a água e o vento no farfalhar das folhas das árvores e do mato.

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Noites em Claro: o desafio ao tempo de Feco Hamburger

janeiro 23, 2020 | Crítica, ensaio, Exposições, Feco Hamburger

Obras da série Noites em Claro, de Feco Hamburger, que integram o acervo da Biblioteca Nacional da França

Noites em Claro, série de fotografias de Feco Hamburger, acaba de ter trabalhos incorporados à recém-inaugurada coleção de fotografia brasileira da Biblioteca Nacional da França (BnF). A coleção contempla trabalhos de fotógrafos como Sebastião Salgado, Miguel Rio Branco e Geraldo de Barros. Em um total de 40 fotografias, de raro impacto visual, Noites em Claro capta, em registros de longa exposição, o acúmulo da luz existente, mas não visível aos nossos olhos, em um único fotograma, imprimindo na película o registro do tempo – diferentemente do olhar humano, que registra senão instantâneos.

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ArtNexus: Andrey Zignnatto

janeiro 18, 2020 | Andrey Zignnatto, Crítica, ensaio, Exposições, Na mídia

Andrey Zignnatto, Fenda #2, 2018, Pigmento sobre papel de algodão, 55 x 70 cm

Xenia Bergman *

Desde o final do século passado, a arte não mais opera como uma janela para o mundo ou como reflexão de uma perspectiva emancipatória, mas como estratégia. No mundo contemporâneo, toda obra de arte – seja um objeto individual ou a exibição de um todo unitário – aponta para uma consciência histórica, um campo de batalha onde obras e espectadores são convidados para um jogo (de linguagem) cujas regras correntes, e a maneira em que elas são implementadas, são revisadas antecipadamente. Diante dessa perrrogativa, e entre os muitos receptores da mais recente exposição proposta por Andrey Zignnatto, na Janaina Torres Galeria, podemos nos perguntar: que mecanismos são ativados nessa exibição? Como ser um bom contribuinte?

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A Noite dos Tempos, por Diógenes Moura

dezembro 1, 2019 | Crítica, ensaio, Exposições, Feco Hamburger

Fotografia da série Noites em Claro, de Feco Hamburger, em mostra na Pinacoteca do Estado, em São Paulo

Diógenes Moura

A ciência na busca de uma ação precisa na fotografia de Feco Hamburger é a de virar a noite pelo avesso, num desafio “irracional” de aproximar-se da natureza do tempo e, com isso, juntá-la à natureza do homem, para falar de um sistema comum aos dois, através de imagens noturnas de longa exposição. A partir desse sentido ele traz para fora do diafragma o “dia” que lá dentro a luz invisível a olhos nus revela, fotograma por fotograma. O resultado são imagens com intensa poesia, vindas de um mundo em silêncio; vindas das fases da lua que invocam noites “de sol” em paisagens bucólicas; vindas de uma geografia que recorta sistemas impensáveis; vindas de tensas metáforas em seus riscos de neon que tanto percebem a velocidade da imagem buscando a velocidade da luz, no meio da cidade adormecida.

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Feco Hamburger e o tempo longo, por Tadeu Chiarelli

novembro 23, 2019 | Crítica, ensaio, Feco Hamburger

Noites em Claro, exposição de fotografias de Feco Hamburger na Pinacoteca do Estado

Tadeu Chiarelli

Em 2004, na individual que apresentou na Pinacoteca do Estado, intitulada “Noites em claro”, Feco Hamburger mostrou uma série de fotografias em que a questão central era o “tempo longo” dos astros celestiais, captados por meio de tomadas de longa exposição. Outra questão primordial nas fotos então exibidas – e que tanto surpreendeu e encantou o artista – foi a presença de uma luz misteriosa nas fotos, muito embora todas tivessem sido realizadas durante a noite.

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Um corpo na Amazônia: o tempo de Luciana Magno

agosto 21, 2019 | Crítica, ensaio, Feiras, Luciana Magno

Luciana Magno, Sem título (da Série Orgânicos), 2014, Pigmento sobre papel de algodão, 80 x 120 cm

Por Ubiratan Muarrek *

Se é verdade que, na arte, o tempo está sempre à espreita, podemos dizer que chegou a plenitude da hora do trabalho de Luciana Magno.

A Amazônia arde, o Brasil e o mundo derretem-se em conflitos, o clima entra em estado de selvageria e o movimento adverso global é sentido na pele por vastos segmentos de populações.

A geografia, a natureza, a cultura e o corpo, elementos centrais da obra dessa jovem artista paraense, retratam e refletem um estado de coisas que, partindo do elemento local – a floresta -, amplifica-se para as audiências – e consciências – de todo o planeta.

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Pequenos Vestígios de Melancolia, na Funarte, em São Paulo

agosto 3, 2019 | Andrey Zignnatto, Crítica, ensaio, Daniel Jablonski, Exposições, Kitty Paranaguá, Pablo Ferretti, Renata Pelegrini

Andrey Zignnatto, Sem título (da Série Empilhamento), 2016, Tijolo baiano cerâmico amassado e empilhado sobre carrinho de mão, 70 x 55 x 130 cm

Por Cadu Gonçalves

Nos deparamos ao longo da história da arte com imagens que, de alguma maneira, perpassam os nossos sentidos e muitas vezes não conseguimos descrever. Como as imagens noturnas de seres solitários em bares e cafés de Edward Hopper ou os olhares perdidos e longínquos presentes em pinturas de Lucian Freud; imagens de paisagens melancólicas, resíduos ou ruínas, espaços deixados por uma ocupação recente ou distante cronologicamente, nos colocam como um narrador sem palavras do que aconteceu ali.

O recorte de Pequenos Vestígios de Melancolia, coletiva que ocupa as paredes da Funarte, em São Paulo,  compreende o trabalho de seis artistas, cujas obras de certo modo se valem de experiências residuais, seja na observação, seja na matéria. E esses vestígios, de alguma maneira, se mesclam ao entorno deste prédio, ao interior desta sala, que passam por um lento processo de abandono, um lugar em que as celebrações são também carregadas pelo peso da incerteza e da dúvida de seu prosseguimento.

Daniel Jablonski, Pergunte a seus vizinhos [São Paulo], 2016, Pigmento sobre papel de algodão, 66,5 x 100 cm

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O enigma artístico de Stephan Doitschinoff, por Daniel Rangel

agosto 3, 2019 | Crítica, ensaio, Exposições, Stephan Doitschinoff

Stephan Doitschinoff, Homem Apropriado, 2018, Grafite sobre papel, 122 x 75 cm (detalhe)

Por Daniel Rangel *

A trajetória artística de Stephan Doitschinoff, marcada por profundas imersões cíclicas, está vinculada às experiências pessoais vividas desde sua infância. Uma obra com influências formais da pop art e do surrealismo, que é estruturada por um vocabulário singular.

Stephan recorre a um léxico iconográfico particular inspirado em símbolos históricos, religiosos, políticos, filosóficos e ambientais, para conceber desenhos, pinturas, esculturas e instalações. Uma escrita visual carregada de significados criptografados por meio de uma literatura imagética fantástica acerca da contemporaneidade.

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David Magila: Uma pintura feita de escombros e memórias

julho 1, 2019 | Crítica, ensaio, David Magila, Na mídia, Notícias

David Magila, Frequentes conclusões falsas 39, 2018, Acrílica, spray e lápis sobre tela, 150 x 200 cm

Por Maria Hirszman *

CARACTERÍSTICA MARCANTE da obra de David Magila, a simultaneidade parece ter efeito também sobre seu calendário. Com três exposições inaugurando uma após a outra no mês de maio de 2019, o artista faz uma entrada impactante na cena paulistana. São três espaços diferentes e com vocações distintas, nos quais expõe um leque amplo de trabalhos, quase todos inéditos, que conjuntamente compõem um panorama bastante abrangente das principais questões que o motivam.

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David Magila – Cadeiras, mesas, telhas e tijolos: fragmentos de uma imagem-paisagem em suspensão

maio 28, 2019 | Crítica, ensaio, David Magila

Frequentes conclusões falsas 40, 2019, Acrílica, spray e lápis sobre tela, 150 x 200 cm

Por Taisa Palhares

Em sua primeira exposição na Janaina Torres Galeria, David Magila apresenta trabalhos inéditos em pintura e escultura que o apontam como um dos artistas mais promissores de sua geração. Formado em artes visuais, Magila possui um conhecimento técnico que propiciou que se dedicasse, por um bom tempo, à comunicação visual. Sua produção atual transparece o domínio conquistado com essa experiência, que agora é colocada a serviço do amadurecimento de uma poética híbrida, na qual desenho, pintura, fotografia e escultura dão vazão a composições ao mesmo tempo despojadas e complexas. Logo, em primeiro lugar, há um caráter afirmativo nessa produção mais recente, que diz respeito à maturidade alcançada.

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Aos Moraleidas vivos

fevereiro 12, 2019 | Crítica, ensaio, Exposições, Pedro Moraleida

Pedro Moraleida, Série Faça você mesmo sua capela sistina, Sub-série Germânica, Ich will doch nur dass ihr mich liebt!!! (Eu só quero que você me ame!!!), acrílica sobre tecido e papel

A força e a importância da obra do mineiro Pedro Moraleida, falecido precocemente aos 22 anos de idade, em 1999, ganham sua merecida atenção e repercussão para um público mais amplo com a exposição “Canção do Sangue Fervente”, que o Instituto Tomie Othake exibe até 17 de fevereiro, em São Paulo, sob curadoria de Paulo Miyada. Felipe Molitor recupera no texto que segue a trajetória de uma obra que ocupa lugar cativo entre as maiores produções artísticas brasileiras do final do século passado. 

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Mitologias do Brasil e da Internet, em Hy Brazil, de Daniel Jablonski

setembro 16, 2018 | Crítica, ensaio, Daniel Jablonski

Políptico Hy Brazil, de Daniel Jablonski: seis fotografias impressas em metacrilato a partir de captura de telas de computador

Em Hy Brazil, uma obra inédita, Daniel Jablonski investiga as narrativas por trás de uma ilha fantasma situada na costa da Irlanda. Chamada Brazil (ou Hy Bressail, O’Brazil, Brazil, Bracil, Bracir, entre outras variantes) muito antes da descoberta do país sul-americano, a ilha esteve presente em praticamente todos os mapas náuticos entre 1325 a 1870. Foi apenas no fim do século 19, após inúmeras tentativas frustradas de encontrá-la, que a cartografia moderna determinou que ela havia sido confundida com um simples rochedo presente naquela região.

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Luciana Magno: um corpo movente na Amazônia (vídeo)

agosto 18, 2018 | Crítica, ensaio, Feiras, Luciana Magno, Notícias, vídeos

Luciana Magno, still do vídeo Transamazônica-Altamira, 2014, 1´11″

Apresentamos com imenso prazer na SP-Arte/Foto  2018, em foto e vídeo, trabalhos da série Orgânicos, da jovem artista paraense Luciana Magno (1987). Com pesquisa focada no corpo e em ações performáticas, Luciana aborda questões políticas, sociais e antropológicas, relacionadas ao impacto do desenvolvimento da região amazônica, com imenso requinte visual e aparato cultural e simbólico. A integração do corpo à paisagem e ao entorno é um elemento determinante e recorrente em suas obras, estabelecendo um olhar crítico e poético acerca da cultura, história e política.

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Renata Pelegrini: desenho e pintura, por Marcelo Salles

fevereiro 28, 2018 | Crítica, ensaio, Renata Pelegrini

Renata Pelegrini, Sem título, 2015, Acrílica sobre tela, 120 x 100 cm

Por Marcelo Salles

O livro “Cidades Invisíveis “, de Ítalo Calvino, nos traz a narrativa do comerciante/embaixador Marco Polo ao poderoso conquistador Kublai Khan sobre cidades pelas quais passou em suas viagens pelo vasto império do Khan. Calvino apresenta descrições de cidades inverossímeis compostas por experiências as mais diversas, da literatura das Mil e Uma Noites ao cinema, de viagens e de cidades reais (até onde Veneza pode ser real…), construídas pelas palavras de Marco Polo e reconstruídas por seu ouvinte, Kublai Khan.

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Renata Pelegrini: O enigma da janela, por Taisa Palhares

fevereiro 28, 2018 | Crítica, ensaio, Renata Pelegrini

Renata Pelegrini, Sem título, 2014, Carvão, grafite, giz e nanquim sobre papel, 30 x 40 cm

Por Taisa Palhares

Um dos quadros mais icônicos da pintura do século 20, e que se mantém enigmático até hoje, é a tela Porte-fenêtre à Collioure (1914), de Henri Matisse. A composição, em tons de azulado, verde, cinza, mas predominante preto,  coloca-se entre a representação e a não-representação de um espaço conhecido, vagamente explicado pelo título, sintetizando a relação do artista com a abstração, à qual ele nunca aderiu efetivamente. Assim como em outros trabalhos do pintor francês, desenho e cor vivem em harmonia, ou seja, não há a predominância de um sobre o outro, posto que o objetivo é superar a dicotomia que domina a história da pintura desde o Renascimento.

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Faça você mesmo sua Capela Sistina, por Augusto Nunes-Filho

janeiro 29, 2018 | Crítica, ensaio, Exposições, Pedro Moraleida

Pedro Moraleida, Série Madonas, tinta automotiva s/ placa de alumínio, 4,80 X 1,60m

Por Augusto Nunes-Filho *

No curto intervalo de duração de sua atividade artística, Pedro Moraleida Bernardes dedicou-se ao exercício diuturno, intenso e pleno de uma corrosiva, irreverente e determinada iconoclastia. O desmesurado dessa produção atinge tal dimensão que é impossível não vislumbrar nela uma quase imperativa compulsão a exigir sempre, e mais, o melhor dele. Moraleida elegeu alguns temas como objeto e alvo principal. A complexidade dos questionamentos sobre religião. O intricado das relações entre poder, política e ideologia. As conexões dos fundamentos do saber, da ciência e da filosofia. As múltiplas formas de expressão da sexualidade, mirando condutas, hábitos e costumes historicamente consolidados na sociedade.

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Acendendo o corpo da cidade, por Renato Rezende

janeiro 20, 2018 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi

Intervenção Cassino, de Heleno Bernardi (foto: Beto Felício)

Entre arqueólogo e acupunturista, nas palavras de Renato Rezende, Heleno Bernardi promove intervenções urbanas singulares, “resgatando e valorizando objetos do passado que, uma vez destacados, iluminam nossa compreensão de nós mesmos” e “ativando com precisão, no corpo da cidade, um ponto nevrálgico, numa intervenção simples, mas que atua profundamente, liberando energia e possibilitando novas linhas de ação”. Leia a seguir o texto completo de Rezende sobre a intervenção Cassino, de Bernardi, e que integra o catálogo da exposição.  

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O poder do vestígio: monotipias de Kika Levy

dezembro 26, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Kika Levy


Por Anne Louyot *

Em Pra Te Ver Melhor, Kika Levy escolheu uma técnica milenar, a da impressão direta do objeto a representar em uma superfície sensível – nesse caso, samambaias no papel de gravura. Assim nasceram as primeiras imagens do mundo, como as mãos em negativo nas paredes das cavernas pré-históricas, e muitas outras que atravessaram a história da arte, da ciência e da técnica, desde o santo sudário até os moldes de corpo de Rodin, passando pelas máscaras mortuárias, os fotogramas ou as impressões digitais.

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Daniel Nogueira de Lima: a construção da luz

novembro 28, 2017 | Crítica, ensaio, Daniel Nogueira de Lima, Sem categoria

Por Cauê Alves *

Na tradição da arte, trabalhos tridimensionais, mesmo quando representam em seu interior luzes e sombras, necessitam de iluminação para serem vistos. Dan Flavin, Olafur Eliasson, James Turrell, entre outros, são exceções que invertem essa lógica.A obra de Daniel Nogueira também está entre as que emitem luz. Toda a experiência visual e os sentidos delas dependem das lâmpadas contidas no trabalho.

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Pra te ver melhor: monotipias de Kika Levy

novembro 6, 2017 | Crítica, ensaio, Feiras, Kika Levy, Notícias

A artista Kika Levy, no ateliê de gravura da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Nina Levy

Delicadeza e precisão. De posse desses dois atributos tão caros à arte, Kika Levy nos presenteia com monotipias reveladoras da natureza que nos cerca – e de novos caminhos de seu próprio trabalho. Fruto de sua residência artística no ateliê de gravura da Oficina Cultural Oswald de Andrade, que expõe até dezembro o trabalho da artista, Kika Levy trabalhou pela primeira vez em prensa de grandes dimensões. O resultado são folhas nada frágeis, mas poderosas – que resistem ao tempo e a um único olhar. Revelam-se aos poucos, numa beleza de amplos significados, que são elaborados pela curadora Ana Angélica Albano, no belo texto a seguir.

Veja as monotipias de Kika Levy clicando aqui. 

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As Miradas de Feco Hamburger. Aproximem-se.

outubro 31, 2017 | Crítica, ensaio, Feco Hamburger, Notícias

Feco Hamburger, Mirada 12, Jato de tinta sobre papel de algodão, aço inox e lente Fresnel, 2017, 30x30x8 cm

Miradas são obras que exploram cosmogonias – e a relação do humano com o universo, através do olhar. Criação do artista Feco Hamburger, aproximam os espectadores da obra, que a exploram, encantados, sob ângulos diversos. Revelam paisagens, cenários e mistérios. Um dos maiores sucessos da carreira desse artista inquieto, conheça as novas Miradas de Feco Hamburger e uma breve descrição do artista sobre as obras.

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Sandra Mazzini, entre flores, mangas e urubus

outubro 19, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Sandra Mazzini

Sandra Mazzini, Sem título, 2017, óleo sobre tela, 150 x 180 cm

Por Ubiratan Muarrek *

Disse Cézanne: “Quando eu preciso julgar uma arte, eu levo minhas pinturas e as deixo próximas a um objeto feito por Deus, como uma árvore ou uma flor. Se os dois lados combatem, elas não são arte”. A frase, do Grande Mestre, serve, se não para um julgamento, certamente para uma avaliação do projeto artístico de Sandra Mazzini, talento da nova safra de pintores brasileiros, que a Janaina Torres Galeria expõe a partir de 21 de outubro, em São Paulo. Trata-se da primeira mostra individual da jovem artista.

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A super-visão de Sandra Mazzini, por Sergio Romagnolo

outubro 17, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Sandra Mazzini

Sandra Mazzini, Ora pro nobis, 2017, Óleo sobre tela, 50 x 50 cm

Muito já se falou sobre a pintura como cópia do visível, e como em poucos períodos utópicos de sua história, se considerar-se a história da pintura apenas 500 anos de alguns poucos países do sudoeste da Europa e 50 anos da América do Norte, tentou-se achar um lugar autônomo para a sua existência. Uma pintura que não representasse nada visível, que existisse quase como um objeto, como um monólito, sem ter a função de representar ou significar.

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Copacabana, céu aberto – por Walter Carvalho

agosto 4, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Kitty Paranaguá

Kitty Paranaguá, Sem título, 2008 – 13, Pigmento sobre papel de algodão, 30 x 40 cm e 75 x 100 cm

Por Walter Carvalho

Muitos foram os escritores, poetas e compositores que cantaram e imortalizaram a paisagem de Copacabana. Agora é o olho de Kitty Paranaguá que traz uma constelação de luz que estala, branca, nas paredes das fachadas maculadas pela prata intensa dos seus filmes. Suas formas fotográficas se materializam numa obliquidade de ângulos que desafia o olhar e as imagens ocupam o espaço num equilíbrio de formas, entre o cheio e o vazio.

Entre um intenso volume de tons escuros em oposição a uma expressiva massa de brancos, suas fotos constroem uma narrativa acromática da geografia humana e urbana, numa convivência harmoniosa das formas e dos volumes.

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Copacabana não engana mais ninguém

agosto 3, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Kitty Paranaguá

Dona Joana, Mata Machado, 2016, pigmento sobre papel de algodão, 100 x 100 cm

Com curadoria de Diógenes Moura, 15 imagens da série Campos de Altitude, da fotógrafa carioca Kitty Paranaguá, ganharam as paredes do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), como parte do Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro, em maio de 2017. Republicamos a seguir o texto de Diógenes, que busca dar conta da complexidade e do impacto narrativo e simbólico do trabalho de Kitty, que ganha em 2017 repercussão nacional e internacional. As séries Campos de Altitude e Copacabana, de Kitty Paranaguá, estarão expostas na Janaina Torres Galeria, entre 22 de agosto e 30 de setembro de 2017, e na SP-Arte/Foto/2017 entre 23 e 27 de agosto (estande 24).

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B.L.O.C.O.S ou A obra residual de Marcia Thompson

julho 7, 2017 | Crítica, ensaio, Marcia Thompson

 

Marcia Thompson, Sem título, Folha de prata, bloco de papel e pregos, 30 x 500 cm

Por Saulo di Tarso *

As artes visuais têm atravessado, no Brasil, um dos seus maiores períodos de silêncio. Em parte, porque artistas e curadores brasileiros das gerações recentes se educaram pelo maneirismo de serem aceitos na cena internacional e, com isso, um corredor de mimeses foi criado na direção da arte conceitual e do minimalismo.

E, em parte, porque a crítica ou anula artistas brasileiros que imitam artistas mais conhecidos do circuito mundial ou, igualmente, um grupo de artistas segue tendências do mercado internacional e, portanto, perde a capacidade de estabelecer um caminho teórico suficiente para potencializar o que alguns artistas brasileiros como Hélio Oiticica, Lygia Clark, os irmãos Campos, Luiz Sacilotto e mais recentemente Cildo Meireles e Adriana Varejão vêm criando na arte brasileira: inserção na arte internacional por relevância de acréscimo no desenvolvimento crucial da arte como linguagem.

O trabalho de Marcia Thompson é um caso de sutileza dentro de muitas questões que passam despercebidas ou são pouco discutidas no horizonte da pintura atual. O que ela faz não é concreto, minimalista, gráfico, escultórico, pictórico e tampouco objetual ou desmaterial (que, como corrente da morte da pintura, valida o Conceitualismo pelo esgotamento da pintura).

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A visão poderosa de Sandra Mazzini

junho 27, 2017 | Crítica, ensaio, Sandra Mazzini

Sandra Mazzini, Sem título, Acrílica e óleo sobre tela (2016)

Vinte artistas, um desassosego. Com esse espírito, a curadora Germana Monte-Mór convidou dez pintores-curadores estabelecidos, que escolheram e comentaram trabalhos de seus pares mais novos, artistas jovens e com talento que ainda não conseguiram colocar sua produção para ser discutida. Entre os jovens artistas escolhidos, Sandra Mazzini, jovem pintora paulistana que se destaca no cenário atual.

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A cidade plural e erótica na pintura de Heleno Bernardi

maio 9, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Heleno Bernardi


Heleno Bernardi, Sem título, Acrílica e spray acrílico sobre tela, 140 x 200 cm

ELOGIO DO FORA, por Roberto Corrêa dos Santos *

A exposição das obras de Heleno Bernardi que se apresenta na Janaina Torres Galeria (veja aqui), com ênfase em suas pinturas, permite constatar o quanto de pesquisa, de talento e de poder conceitual tem marcado todo o labor desse artista de enorme força; aproximam-se no solo expositivo, como se em uma antologia nascida de recortes especiais, aqueles fazeres-em-arte que têm como um dos vetores norteantes o ver e o pensar e o agir sobre a cidade, indo as obras para além da cidade como ideia geral de cidade de modo a atingir a cidade-ela-mesma e dela obter-se, por ato de recolha múltipla, elementos e sinais de sua pulsão plural e erótica; a cidade afirma-se como terreno corpóreo que nos abriga, nos constitui, encanta, retém, constrange e nos clama a um só instante;

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Feco Hamburger mira o telescópio, que mira o universo

maio 4, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Feco Hamburger


Feco Hamburger, Alma IV, Jato de tinta sobre papel de algodão, 40 x 60 cm

Por Agnaldo Farias *

Os limites espaço-temporais da nossa percepção, condenada ao que se alcança com os olhos e ouvidos confinados num horizonte circular e fincados no presente, geram como reação o fabrico de mapas e modelos de toda ordem.

Nada mais que a expressão de um desejo atávico pelo controle das coisas, sejam elas aéreas, territoriais, geográficas, políticas, corpos biológicos; o impulso transborda sobre o corpo do mundo, no que dele é visível e invisível, e vai muito além dele.

(veja obras da exposição de Feco Hamburger na Janaina Torres Galeria, aqui)

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MAGMA: o rápido (e certeiro) golpe pictórico de Heleno Bernardi

abril 26, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi, vídeos


Por Alexandre Sá *

A situação é inusitada: máscaras, pistola, proteção, óculos, chapéu, compressor e alguns outros elementos que talvez não sejamos capazes de capturar. O artista está lá, vestido de branco e com a arma em punho. Parece sempre preparado para uma guerra específica em algum lugar inóspito. O espaço é um terreno abandonado de cor obtusa. O alvo do ataque (nesta primeira empreitada) são alguns destroços, elementos deixados ao longo de algum processo particular de construção e desconstrução, dejetos de alguma história que não somos capazes de compreender. Estamos então num local curioso, num recuo dentro de uma rua movimentada em um bairro do Rio de Janeiro. O sol, como era de se esperar, está voraz e termina auxiliando na impressão de que se trata de um deserto, de algum não-lugar (curiosamente particular) onde talvez nenhum oásis seja provável.

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Marcia Thompson: o grau zero da pintura

abril 17, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Marcia Thompson


Marcia Thompson, sem título, óleo sobre linho

Por Luisa Duarte *

Como já foi escrito, a obra de Marcia Thompson filia-se a uma vertente da arte que possui raiz no pós-minimalismo. Eva Hesse seria o exemplo maior de um nome representante desse período e cuja obra é uma inspiração para a artista.

Se a minimal, assim como o conceitualismo, buscava uma arte desencarnada, tendo no grid moderno sua âncora maior, os pós-minimalistas, como Hesse, Serra, De Maria, vão justamente doar uma carnalidade antes inexistente para a fatura da obra. O lastro do sujeito deixa vestígios e uma manualidade faz-se evidente. No trabalho de Thompson a base serializada e modular do minimalismo permanece, mas justamente para ser desviada, subvertida.

Em “Chromes”, exposição individual na Galeria Mercedes Viegas, pinturas, desenhos, objetos e vídeos, dão sequencia a uma investigação cuja origem se dá na década de 1990. Naquele tempo a artista começava uma pesquisa no campo pictórico, mas com um acento bem diverso de tudo o que vimos na chamada “volta da pintura”, ocorrida nos anos 1980. Se ali um neoexpressionismo dava as cartas e a paleta era nublada, os passos de Thompson iam na direção oposta.

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Sobre ‘Enquanto falo, as horas passam’, de Heleno Bernardi

abril 8, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi

Por Roberto Conduru *

A série de intervenções recentes de Heleno Bernardi reafirma o processo firme, calmo e discreto com o qual ele vem constituindo uma poética artística. Independentemente das diferenças quanto aos elementos e meios por ele usados, Enquanto falo, as horas passam se conecta às suas obras expostas previamente. Assim, dá continuidade e amplia caminhos trilhados em trabalhos anteriores, ao confirmar certas opções e abrir outras frentes.

(Veja exposição de Heleno Bernardi na Janaina Torres Galeria, aqui)

Heleno continua a jogar preferencialmente com imagens do corpo humano. Ao se apropriar de imagens pretéritas, algumas de cunho ancestral, maneja arquétipos com largo alcance de sentido, superpondo tempos diversos. Referências antigas, remotas e atemporais, eruditas ou universais, que são embaralhadas a outras recentes e triviais. Contraposições que fazem o comum se tornar estranho, insólito, nessa obra que vem se delineando como jogo entre denso e rarefeito, drama e humor, baixa e alta cultura. Acúmulo de usos e remissões ao corpo que permite pensar como o artista põe seu corpo em suas obras, levando a refletir sobre como ele também as concebe, desde o início, como autorrepresentações mais ou menos veladas.

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O Ocidente, modelar

abril 1, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi

Ensaio sobre Apologia de Sócrates, de Heleno Bernardi, publicado no livro Apology of Socrates – Doors Galerie – 2006.

Por Roberto Corrêa dos Santos

Não se trata da beleza – trata-se do pensamento. Não que se despreze a beleza, pois bem importa; surge aqui a beleza, de início, pelo laborioso expressar de seu avesso. Um avesso que parece não mais ser, ou jamais ter sido, da tranqüila ordem do liso. Texturas ásperas e porosas compõem, cerca-se a imagem de voltas, curvas rudes, um certo desalinho, como se bem ali ocorressem miúdos distúrbios do adorno. Aquilo que contorna contraria o valor do acabado, rediscute os ideais de perfeição. O rosto de Sócrates o desdiz e ao mesmo tempo o reafirma. Nele, a longa história de suas perguntas, os vastos caminhos do mapa de suas preocupações, espalhados por toda parte e finalmente confluídos para aquele lugar do corpo. Lugar que o Ocidente convencionou como o mais próprio para focalizar o mito eternizado da beleza. E será bem aí, no rosto de Sócrates, que se reunirão, antes de qualquer outro ato adiante, multidões de traços miúdos por toda a superfície, a indicarem seu gradativo ruir, logo seu transformar-se, seu provável – embora impossível se vislumbrar quando – desaparecimento. Assim, expondo a primeira e provisória face de Sócrates, ainda não afagada, porém já sob a mira de uma inteligência irônica e rara, Heleno Bernardi dá-nos sua Apologia de.

Sócrates era feio, deixaram ver os discípulos próximos – Platão e Xenofonte – em suas diferidas Apologias. Sócrates era feio, gritara, alto, insistente e bem perto, Nietzsche. Talvez todas as buscas relativas ao fazer do pensamento e da arte tenham-se dedicado ao exame dessa guerra ativa ou, quem sabe, do acordo repleto de labor, entre beleza e pensamento. Para além de desmontar esse problema, Heleno irá agir, ultrapassando o sítio do rosto. Reconstruirá de Sócrates a cabeça. Trazida à cena, afugenta-se o rosto ou este se contrai.

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