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Daniel Nogueira de Lima: a construção da luz

novembro 28, 2017 | Crítica, ensaio, Daniel Nogueira de Lima, Sem categoria

Por Cauê Alves *

Na tradição da arte, trabalhos tridimensionais, mesmo quando representam em seu interior luzes e sombras, necessitam de iluminação para serem vistos. Dan Flavin, Olafur Eliasson, James Turrell, entre outros, são exceções que invertem essa lógica.A obra de Daniel Nogueira também está entre as que emitem luz. Toda a experiência visual e os sentidos delas dependem das lâmpadas contidas no trabalho.

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Pra te ver melhor: monotipias de Kika Levy

novembro 6, 2017 | Crítica, ensaio, Feiras, Kika Levy, Notícias

A artista Kika Levy, no ateliê de gravura da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Foto: Nina Levy

Delicadeza e precisão. De posse desses dois atributos tão caros à arte, Kika Levy nos presenteia com monotipias reveladoras da natureza que nos cerca – e de novos caminhos de seu próprio trabalho. Fruto de sua residência artística no ateliê de gravura da Oficina Cultural Oswald de Andrade, que expõe até dezembro o trabalho da artista, Kika Levy trabalhou pela primeira vez em prensa de grandes dimensões. O resultado são folhas nada frágeis, mas poderosas – que resistem ao tempo e a um único olhar. Revelam-se aos poucos, numa beleza de amplos significados, que são elaborados pela curadora Ana Angélica Albano, no belo texto a seguir.

Veja as monotipias de Kika Levy clicando aqui. 

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As Miradas de Feco Hamburger. Aproximem-se.

outubro 31, 2017 | Crítica, ensaio, Feco Hamburger, Notícias

Feco Hamburger, Mirada 12, Jato de tinta sobre papel de algodão, aço inox e lente Fresnel, 2017, 30x30x8 cm

Miradas são obras que exploram cosmogonias – e a relação do humano com o universo, através do olhar. Criação do artista Feco Hamburger, aproximam os espectadores da obra, que a exploram, encantados, sob ângulos diversos. Revelam paisagens, cenários e mistérios. Um dos maiores sucessos da carreira desse artista inquieto, conheça as novas Miradas de Feco Hamburger e uma breve descrição do artista sobre as obras.

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Sandra Mazzini, entre flores, mangas e urubus

outubro 19, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Sandra Mazzini

Sandra Mazzini, Sem título, 2017, óleo sobre tela, 150 x 180 cm

Por Ubiratan Muarrek *

Disse Cézanne: “Quando eu preciso julgar uma arte, eu levo minhas pinturas e as deixo próximas a um objeto feito por Deus, como uma árvore ou uma flor. Se os dois lados combatem, elas não são arte”. A frase, do Grande Mestre, serve, se não para um julgamento, certamente para uma avaliação do projeto artístico de Sandra Mazzini, talento da nova safra de pintores brasileiros, que a Janaina Torres Galeria expõe a partir de 21 de outubro, em São Paulo. Trata-se da primeira mostra individual da jovem artista.

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A super-visão de Sandra Mazzini, por Sergio Romagnolo

outubro 17, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Sandra Mazzini

Sandra Mazzini, Ora pro nobis, 2017, Óleo sobre tela, 50 x 50 cm

Muito já se falou sobre a pintura como cópia do visível, e como em poucos períodos utópicos de sua história, se considerar-se a história da pintura apenas 500 anos de alguns poucos países do sudoeste da Europa e 50 anos da América do Norte, tentou-se achar um lugar autônomo para a sua existência. Uma pintura que não representasse nada visível, que existisse quase como um objeto, como um monólito, sem ter a função de representar ou significar.

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Copacabana, céu aberto – por Walter Carvalho

agosto 4, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Kitty Paranaguá

Kitty Paranaguá, Sem título, 2008 – 13, Pigmento sobre papel de algodão, 30 x 40 cm e 75 x 100 cm

Por Walter Carvalho

Muitos foram os escritores, poetas e compositores que cantaram e imortalizaram a paisagem de Copacabana. Agora é o olho de Kitty Paranaguá que traz uma constelação de luz que estala, branca, nas paredes das fachadas maculadas pela prata intensa dos seus filmes. Suas formas fotográficas se materializam numa obliquidade de ângulos que desafia o olhar e as imagens ocupam o espaço num equilíbrio de formas, entre o cheio e o vazio.

Entre um intenso volume de tons escuros em oposição a uma expressiva massa de brancos, suas fotos constroem uma narrativa acromática da geografia humana e urbana, numa convivência harmoniosa das formas e dos volumes.

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Copacabana não engana mais ninguém

agosto 3, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Kitty Paranaguá

Dona Joana, Mata Machado, 2016, pigmento sobre papel de algodão, 100 x 100 cm

Com curadoria de Diógenes Moura, 15 imagens da série Campos de Altitude, da fotógrafa carioca Kitty Paranaguá, ganharam as paredes do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), como parte do Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro, em maio de 2017. Republicamos a seguir o texto de Diógenes, que busca dar conta da complexidade e do impacto narrativo e simbólico do trabalho de Kitty, que ganha em 2017 repercussão nacional e internacional. As séries Campos de Altitude e Copacabana, de Kitty Paranaguá, estarão expostas na Janaina Torres Galeria, entre 22 de agosto e 30 de setembro de 2017, e na SP-Arte/Foto/2017 entre 23 e 27 de agosto (estande 24).

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B.L.O.C.O.S ou A obra residual de Marcia Thompson

julho 7, 2017 | Crítica, ensaio, Marcia Thompson

 

Marcia Thompson, Sem título, Folha de prata, bloco de papel e pregos, 30 x 500 cm

Por Saulo di Tarso *

As artes visuais têm atravessado, no Brasil, um dos seus maiores períodos de silêncio. Em parte, porque artistas e curadores brasileiros das gerações recentes se educaram pelo maneirismo de serem aceitos na cena internacional e, com isso, um corredor de mimeses foi criado na direção da arte conceitual e do minimalismo.

E, em parte, porque a crítica ou anula artistas brasileiros que imitam artistas mais conhecidos do circuito mundial ou, igualmente, um grupo de artistas segue tendências do mercado internacional e, portanto, perde a capacidade de estabelecer um caminho teórico suficiente para potencializar o que alguns artistas brasileiros como Hélio Oiticica, Lygia Clark, os irmãos Campos, Luiz Sacilotto e mais recentemente Cildo Meireles e Adriana Varejão vêm criando na arte brasileira: inserção na arte internacional por relevância de acréscimo no desenvolvimento crucial da arte como linguagem.

O trabalho de Marcia Thompson é um caso de sutileza dentro de muitas questões que passam despercebidas ou são pouco discutidas no horizonte da pintura atual. O que ela faz não é concreto, minimalista, gráfico, escultórico, pictórico e tampouco objetual ou desmaterial (que, como corrente da morte da pintura, valida o Conceitualismo pelo esgotamento da pintura).

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A visão poderosa de Sandra Mazzini

junho 27, 2017 | Crítica, ensaio, Sandra Mazzini

Sandra Mazzini, Sem título, Acrílica e óleo sobre tela (2016)

Vinte artistas, um desassosego. Com esse espírito, a curadora Germana Monte-Mór convidou dez pintores-curadores estabelecidos, que escolheram e comentaram trabalhos de seus pares mais novos, artistas jovens e com talento que ainda não conseguiram colocar sua produção para ser discutida. Entre os jovens artistas escolhidos, Sandra Mazzini, jovem pintora paulistana que se destaca no cenário atual.

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A cidade plural e erótica na pintura de Heleno Bernardi

maio 9, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Heleno Bernardi


Heleno Bernardi, Sem título, Acrílica e spray acrílico sobre tela, 140 x 200 cm

ELOGIO DO FORA, por Roberto Corrêa dos Santos *

A exposição das obras de Heleno Bernardi que se apresenta na Janaina Torres Galeria (veja aqui), com ênfase em suas pinturas, permite constatar o quanto de pesquisa, de talento e de poder conceitual tem marcado todo o labor desse artista de enorme força; aproximam-se no solo expositivo, como se em uma antologia nascida de recortes especiais, aqueles fazeres-em-arte que têm como um dos vetores norteantes o ver e o pensar e o agir sobre a cidade, indo as obras para além da cidade como ideia geral de cidade de modo a atingir a cidade-ela-mesma e dela obter-se, por ato de recolha múltipla, elementos e sinais de sua pulsão plural e erótica; a cidade afirma-se como terreno corpóreo que nos abriga, nos constitui, encanta, retém, constrange e nos clama a um só instante;

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Feco Hamburger mira o telescópio, que mira o universo

maio 4, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Feco Hamburger


Feco Hamburger, Alma IV, Jato de tinta sobre papel de algodão, 40 x 60 cm

Por Agnaldo Farias *

Os limites espaço-temporais da nossa percepção, condenada ao que se alcança com os olhos e ouvidos confinados num horizonte circular e fincados no presente, geram como reação o fabrico de mapas e modelos de toda ordem.

Nada mais que a expressão de um desejo atávico pelo controle das coisas, sejam elas aéreas, territoriais, geográficas, políticas, corpos biológicos; o impulso transborda sobre o corpo do mundo, no que dele é visível e invisível, e vai muito além dele.

(veja obras da exposição de Feco Hamburger na Janaina Torres Galeria, aqui)

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MAGMA: o rápido (e certeiro) golpe pictórico de Heleno Bernardi

abril 26, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi, vídeos


Por Alexandre Sá *

A situação é inusitada: máscaras, pistola, proteção, óculos, chapéu, compressor e alguns outros elementos que talvez não sejamos capazes de capturar. O artista está lá, vestido de branco e com a arma em punho. Parece sempre preparado para uma guerra específica em algum lugar inóspito. O espaço é um terreno abandonado de cor obtusa. O alvo do ataque (nesta primeira empreitada) são alguns destroços, elementos deixados ao longo de algum processo particular de construção e desconstrução, dejetos de alguma história que não somos capazes de compreender. Estamos então num local curioso, num recuo dentro de uma rua movimentada em um bairro do Rio de Janeiro. O sol, como era de se esperar, está voraz e termina auxiliando na impressão de que se trata de um deserto, de algum não-lugar (curiosamente particular) onde talvez nenhum oásis seja provável.

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Marcia Thompson: o grau zero da pintura

abril 17, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Marcia Thompson


Marcia Thompson, sem título, óleo sobre linho

Por Luisa Duarte *

Como já foi escrito, a obra de Marcia Thompson filia-se a uma vertente da arte que possui raiz no pós-minimalismo. Eva Hesse seria o exemplo maior de um nome representante desse período e cuja obra é uma inspiração para a artista.

Se a minimal, assim como o conceitualismo, buscava uma arte desencarnada, tendo no grid moderno sua âncora maior, os pós-minimalistas, como Hesse, Serra, De Maria, vão justamente doar uma carnalidade antes inexistente para a fatura da obra. O lastro do sujeito deixa vestígios e uma manualidade faz-se evidente. No trabalho de Thompson a base serializada e modular do minimalismo permanece, mas justamente para ser desviada, subvertida.

Em “Chromes”, exposição individual na Galeria Mercedes Viegas, pinturas, desenhos, objetos e vídeos, dão sequencia a uma investigação cuja origem se dá na década de 1990. Naquele tempo a artista começava uma pesquisa no campo pictórico, mas com um acento bem diverso de tudo o que vimos na chamada “volta da pintura”, ocorrida nos anos 1980. Se ali um neoexpressionismo dava as cartas e a paleta era nublada, os passos de Thompson iam na direção oposta.

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Sobre ‘Enquanto falo, as horas passam’, de Heleno Bernardi

abril 8, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi

Por Roberto Conduru *

A série de intervenções recentes de Heleno Bernardi reafirma o processo firme, calmo e discreto com o qual ele vem constituindo uma poética artística. Independentemente das diferenças quanto aos elementos e meios por ele usados, Enquanto falo, as horas passam se conecta às suas obras expostas previamente. Assim, dá continuidade e amplia caminhos trilhados em trabalhos anteriores, ao confirmar certas opções e abrir outras frentes.

(Veja exposição de Heleno Bernardi na Janaina Torres Galeria, aqui)

Heleno continua a jogar preferencialmente com imagens do corpo humano. Ao se apropriar de imagens pretéritas, algumas de cunho ancestral, maneja arquétipos com largo alcance de sentido, superpondo tempos diversos. Referências antigas, remotas e atemporais, eruditas ou universais, que são embaralhadas a outras recentes e triviais. Contraposições que fazem o comum se tornar estranho, insólito, nessa obra que vem se delineando como jogo entre denso e rarefeito, drama e humor, baixa e alta cultura. Acúmulo de usos e remissões ao corpo que permite pensar como o artista põe seu corpo em suas obras, levando a refletir sobre como ele também as concebe, desde o início, como autorrepresentações mais ou menos veladas.

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O Ocidente, modelar

abril 1, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi

Ensaio sobre Apologia de Sócrates, de Heleno Bernardi, publicado no livro Apology of Socrates – Doors Galerie – 2006.

Por Roberto Corrêa dos Santos

Não se trata da beleza – trata-se do pensamento. Não que se despreze a beleza, pois bem importa; surge aqui a beleza, de início, pelo laborioso expressar de seu avesso. Um avesso que parece não mais ser, ou jamais ter sido, da tranqüila ordem do liso. Texturas ásperas e porosas compõem, cerca-se a imagem de voltas, curvas rudes, um certo desalinho, como se bem ali ocorressem miúdos distúrbios do adorno. Aquilo que contorna contraria o valor do acabado, rediscute os ideais de perfeição. O rosto de Sócrates o desdiz e ao mesmo tempo o reafirma. Nele, a longa história de suas perguntas, os vastos caminhos do mapa de suas preocupações, espalhados por toda parte e finalmente confluídos para aquele lugar do corpo. Lugar que o Ocidente convencionou como o mais próprio para focalizar o mito eternizado da beleza. E será bem aí, no rosto de Sócrates, que se reunirão, antes de qualquer outro ato adiante, multidões de traços miúdos por toda a superfície, a indicarem seu gradativo ruir, logo seu transformar-se, seu provável – embora impossível se vislumbrar quando – desaparecimento. Assim, expondo a primeira e provisória face de Sócrates, ainda não afagada, porém já sob a mira de uma inteligência irônica e rara, Heleno Bernardi dá-nos sua Apologia de.

Sócrates era feio, deixaram ver os discípulos próximos – Platão e Xenofonte – em suas diferidas Apologias. Sócrates era feio, gritara, alto, insistente e bem perto, Nietzsche. Talvez todas as buscas relativas ao fazer do pensamento e da arte tenham-se dedicado ao exame dessa guerra ativa ou, quem sabe, do acordo repleto de labor, entre beleza e pensamento. Para além de desmontar esse problema, Heleno irá agir, ultrapassando o sítio do rosto. Reconstruirá de Sócrates a cabeça. Trazida à cena, afugenta-se o rosto ou este se contrai.

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