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B.L.O.C.O.S ou A obra residual de Marcia Thompson

julho 7, 2017 | Crítica, ensaio, Marcia Thompson

 

Marcia Thompson, Sem título, Folha de prata, bloco de papel e pregos, 30 x 500 cm

Por Saulo di Tarso *

As artes visuais têm atravessado, no Brasil, um dos seus maiores períodos de silêncio. Em parte, porque artistas e curadores brasileiros das gerações recentes se educaram pelo maneirismo de serem aceitos na cena internacional e, com isso, um corredor de mimeses foi criado na direção da arte conceitual e do minimalismo.

E, em parte, porque a crítica ou anula artistas brasileiros que imitam artistas mais conhecidos do circuito mundial ou, igualmente, um grupo de artistas segue tendências do mercado internacional e, portanto, perde a capacidade de estabelecer um caminho teórico suficiente para potencializar o que alguns artistas brasileiros como Hélio Oiticica, Lygia Clark, os irmãos Campos, Luiz Sacilotto e mais recentemente Cildo Meireles e Adriana Varejão vêm criando na arte brasileira: inserção na arte internacional por relevância de acréscimo no desenvolvimento crucial da arte como linguagem.

O trabalho de Marcia Thompson é um caso de sutileza dentro de muitas questões que passam despercebidas ou são pouco discutidas no horizonte da pintura atual. O que ela faz não é concreto, minimalista, gráfico, escultórico, pictórico e tampouco objetual ou desmaterial (que, como corrente da morte da pintura, valida o Conceitualismo pelo esgotamento da pintura).

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Sobre a pintura de Marcia Thompson

junho 19, 2017 | Entrevista, Exposições, Marcia Thompson

Selecionamos oito frases e conceitos da própria artista que traduzem a riqueza da exposição B.L.O.C.O.S., de Marcia Thompson, que reúne sua produção mais recente, em exibição na Janaina Torres Galeria até 22 de julho. De Londres, onde está radicada há 20 anos, Marcia fala sobre um longo amadurecimento criativo, consolidado nas paredes – e no chão – da galeria.

Sobre Londres
Marcia Thompson: As peças de B.L.O.C.O.S. são inéditas e foram feitas em Londres. Me mudei pra Londres porque queria conhecer outros lugares, outros trabalhos, outras pessoas. Fui para Nova York e depois viajei pela Europa; também participei de exposições na Coréia, Escandinávia e ouros lugares. Acho que só estou me dando conta agora que já estou aqui há vinte anos!

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Marcia Thompson e a nova gramática da pintura, até 22 de julho na Janaina Torres Galeria

maio 9, 2017 | Exposições, Marcia Thompson, Notícias


Pinturas expandidas em caixas de acrílico são destaque da mostra que traz também telas, desenhos e vídeos da artista carioca, radicada na Inglaterra, laureada em 2015 com o Visual Arts Awards, da embaixada brasileira em Londres

Marcia Thompson celebra mais de duas décadas de trajetória e retorna a São Paulo, a partir de 30 de maio, com a mostra B.L.O.C.O.S., na Janaina Torres Galeria. Residindo em Londres desde a década de 90, Thompson traz ao Brasil uma seleção inédita de trabalhos em que radicaliza, como poucos artistas, a questão da pintura, com movimentos que deslocam a obra do espaço convencional, instaurando, por meio de uma gramática não-convencional, novas possibilidades – e narrativas. A exposição apresenta uma sequência de blocos de tinta óleo em uma série de caixas de acrílico, além de pinturas tridimensionais, desenhos e vídeos.

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Marcia Thompson: o grau zero da pintura

abril 17, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Marcia Thompson


Marcia Thompson, sem título, óleo sobre linho

Por Luisa Duarte *

Como já foi escrito, a obra de Marcia Thompson filia-se a uma vertente da arte que possui raiz no pós-minimalismo. Eva Hesse seria o exemplo maior de um nome representante desse período e cuja obra é uma inspiração para a artista.

Se a minimal, assim como o conceitualismo, buscava uma arte desencarnada, tendo no grid moderno sua âncora maior, os pós-minimalistas, como Hesse, Serra, De Maria, vão justamente doar uma carnalidade antes inexistente para a fatura da obra. O lastro do sujeito deixa vestígios e uma manualidade faz-se evidente. No trabalho de Thompson a base serializada e modular do minimalismo permanece, mas justamente para ser desviada, subvertida.

Em “Chromes”, exposição individual na Galeria Mercedes Viegas, pinturas, desenhos, objetos e vídeos, dão sequencia a uma investigação cuja origem se dá na década de 1990. Naquele tempo a artista começava uma pesquisa no campo pictórico, mas com um acento bem diverso de tudo o que vimos na chamada “volta da pintura”, ocorrida nos anos 1980. Se ali um neoexpressionismo dava as cartas e a paleta era nublada, os passos de Thompson iam na direção oposta.

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