newsletter |siga-nos

No Ateliê: Heleno Bernardi

outubro 6, 2017 | Ateliê, Heleno Bernardi

Se o locus da arte é elemento central na poética multimídia de Heleno Bernardi, não passa despercebido o fato de seu ateliê estar localizado num hospital psiquiátrico. No caso, o Hospital Psiquiátrico Nise da Silveira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Nesta entrevista, desvendamos um pouco da relação do artista com o local, além de reunir elementos sobre seus processos e interesses.

Leia mais

A cidade plural e erótica na pintura de Heleno Bernardi

maio 9, 2017 | Crítica, ensaio, Exposições, Heleno Bernardi


Heleno Bernardi, Sem título, Acrílica e spray acrílico sobre tela, 140 x 200 cm

ELOGIO DO FORA, por Roberto Corrêa dos Santos *

A exposição das obras de Heleno Bernardi que se apresenta na Janaina Torres Galeria (veja aqui), com ênfase em suas pinturas, permite constatar o quanto de pesquisa, de talento e de poder conceitual tem marcado todo o labor desse artista de enorme força; aproximam-se no solo expositivo, como se em uma antologia nascida de recortes especiais, aqueles fazeres-em-arte que têm como um dos vetores norteantes o ver e o pensar e o agir sobre a cidade, indo as obras para além da cidade como ideia geral de cidade de modo a atingir a cidade-ela-mesma e dela obter-se, por ato de recolha múltipla, elementos e sinais de sua pulsão plural e erótica; a cidade afirma-se como terreno corpóreo que nos abriga, nos constitui, encanta, retém, constrange e nos clama a um só instante;

Leia mais

MAGMA: o rápido (e certeiro) golpe pictórico de Heleno Bernardi

abril 26, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi, vídeos


Por Alexandre Sá *

A situação é inusitada: máscaras, pistola, proteção, óculos, chapéu, compressor e alguns outros elementos que talvez não sejamos capazes de capturar. O artista está lá, vestido de branco e com a arma em punho. Parece sempre preparado para uma guerra específica em algum lugar inóspito. O espaço é um terreno abandonado de cor obtusa. O alvo do ataque (nesta primeira empreitada) são alguns destroços, elementos deixados ao longo de algum processo particular de construção e desconstrução, dejetos de alguma história que não somos capazes de compreender. Estamos então num local curioso, num recuo dentro de uma rua movimentada em um bairro do Rio de Janeiro. O sol, como era de se esperar, está voraz e termina auxiliando na impressão de que se trata de um deserto, de algum não-lugar (curiosamente particular) onde talvez nenhum oásis seja provável.

Leia mais

Sobre ‘Enquanto falo, as horas passam’, de Heleno Bernardi

abril 8, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi

Por Roberto Conduru *

A série de intervenções recentes de Heleno Bernardi reafirma o processo firme, calmo e discreto com o qual ele vem constituindo uma poética artística. Independentemente das diferenças quanto aos elementos e meios por ele usados, Enquanto falo, as horas passam se conecta às suas obras expostas previamente. Assim, dá continuidade e amplia caminhos trilhados em trabalhos anteriores, ao confirmar certas opções e abrir outras frentes.

(Veja exposição de Heleno Bernardi na Janaina Torres Galeria, aqui)

Heleno continua a jogar preferencialmente com imagens do corpo humano. Ao se apropriar de imagens pretéritas, algumas de cunho ancestral, maneja arquétipos com largo alcance de sentido, superpondo tempos diversos. Referências antigas, remotas e atemporais, eruditas ou universais, que são embaralhadas a outras recentes e triviais. Contraposições que fazem o comum se tornar estranho, insólito, nessa obra que vem se delineando como jogo entre denso e rarefeito, drama e humor, baixa e alta cultura. Acúmulo de usos e remissões ao corpo que permite pensar como o artista põe seu corpo em suas obras, levando a refletir sobre como ele também as concebe, desde o início, como autorrepresentações mais ou menos veladas.

Leia mais

Três perguntas para Heleno Bernardi (sobre Apologia de Sócrates)

abril 4, 2017 | Exposições, Heleno Bernardi


Apologia de Sócrates, série de fotografias e vídeo, é destaque da mostra individual de Heleno Bernadi na Janaina Torres Galeria, em São Paulo. Fizemos três perguntas ao artista mineiro, que reside no Rio de Janeiro, sobre a obra.

Por que Sócrates? O que seu derretimento nos ensina?
Heleno Bernardi: Este trabalho trata principalmente do pensamento. E das relações que o atravessam. Sócrates surge nesta série por ser um dos fundadores da filosofia ocidental e, talvez, o mais emblemático. O que vemos no vídeo e nas fotos (uma espécie de desconstrução e afogamento do filósofo) tem a ver com a imaterialidade do assunto e é também uma ação inversa (se pensarmos nos processos de arguição adotados pelo filósofo), já que aqui somos nós que o forçamos a dizer algo, através do manuseio, ora carinhoso e depois mais incisivo, de sua cabeça.

Leia mais

O Ocidente, modelar

abril 1, 2017 | Crítica, ensaio, Heleno Bernardi

Ensaio sobre Apologia de Sócrates, de Heleno Bernardi, publicado no livro Apology of Socrates – Doors Galerie – 2006.

Por Roberto Corrêa dos Santos

Não se trata da beleza – trata-se do pensamento. Não que se despreze a beleza, pois bem importa; surge aqui a beleza, de início, pelo laborioso expressar de seu avesso. Um avesso que parece não mais ser, ou jamais ter sido, da tranqüila ordem do liso. Texturas ásperas e porosas compõem, cerca-se a imagem de voltas, curvas rudes, um certo desalinho, como se bem ali ocorressem miúdos distúrbios do adorno. Aquilo que contorna contraria o valor do acabado, rediscute os ideais de perfeição. O rosto de Sócrates o desdiz e ao mesmo tempo o reafirma. Nele, a longa história de suas perguntas, os vastos caminhos do mapa de suas preocupações, espalhados por toda parte e finalmente confluídos para aquele lugar do corpo. Lugar que o Ocidente convencionou como o mais próprio para focalizar o mito eternizado da beleza. E será bem aí, no rosto de Sócrates, que se reunirão, antes de qualquer outro ato adiante, multidões de traços miúdos por toda a superfície, a indicarem seu gradativo ruir, logo seu transformar-se, seu provável – embora impossível se vislumbrar quando – desaparecimento. Assim, expondo a primeira e provisória face de Sócrates, ainda não afagada, porém já sob a mira de uma inteligência irônica e rara, Heleno Bernardi dá-nos sua Apologia de.

Sócrates era feio, deixaram ver os discípulos próximos – Platão e Xenofonte – em suas diferidas Apologias. Sócrates era feio, gritara, alto, insistente e bem perto, Nietzsche. Talvez todas as buscas relativas ao fazer do pensamento e da arte tenham-se dedicado ao exame dessa guerra ativa ou, quem sabe, do acordo repleto de labor, entre beleza e pensamento. Para além de desmontar esse problema, Heleno irá agir, ultrapassando o sítio do rosto. Reconstruirá de Sócrates a cabeça. Trazida à cena, afugenta-se o rosto ou este se contrai.

Leia mais

A polifonia urbana de Heleno Bernardi

março 28, 2017 | Exposições, Heleno Bernardi, Notícias

Em sua primeira exposição individual em São Paulo, na Janaina Torres Galeria, Heleno Bernardi traz pinturas inéditas que compõem seu trabalho de pesquisa nos espaços urbanos, em constante relação com a cidade e suas formas de uso.

O ateliê de Heleno Bernardi fica na Zona Norte do Rio de Janeiro, área com características urbanas marcantes e bastante próprias.

Influenciado por este ambiente, como em uma construção site-­specific, o artista cria uma polifonia com influências arquitetônicas, sonoras e urbanas, em representações provocadoras.

sem título, acrílica e spray acrílico sobre tela, 140 x 200 cm

Veja exposição completa aqui.

Ao contemplar esta série de pinturas, ouvimos o som, percebemos o deslocamento, as relações de cor, tempo e espaço, e sentimos a presença dos indivíduos inseridos neste contexto, que fazem parte deste processo de destruição e construção.

Leia mais

Dasartes Brasil: Heleno Bernardi na Janaina Torres Galeria

março 27, 2017 | Exposições, Heleno Bernardi, Na mídia

Janaina Torres Galeria apresenta a primeira exposição individual de Heleno Bernardi na cidade de São Paulo. O artista multimídia, que reside no Rio de Janeiro, e tem extenso currículo de exposições no Brasil e Exterior, traz pinturas, fotografias, vídeos e uma instalação.

A série inédita de pinturas de grandes proporções do artista é fruto de um trabalho de pesquisa nos espaços urbanos, que possui uma constante relação com a cidade e suas formas de uso. Beiram a abstração e provocam os sentidos. O artista trabalha a percepção do som e o deslocamento urbano, as relações de cor, tempo e espaço, e a presença dos indivíduos inseridos neste contexto, que fazem parte de um processo de destruição e construção.

Leia mais