Preview: Janaina Torres Galeria na SP-Arte 2019

18 de June de 2019 • Andrey Zignnatto, Daniel Jablonski, David Magila, Feco Hamburger, Heleno Bernardi, Sandra Mazzini, Stephan Doitschinoff

Andrey Zignnatto, Tapete de Orações #2, 2019, Papel de saco de cimento e tapeçaria, 146x100cm

ANUNCIAMOS com prazer nossa participação na SP-Arte 2019, a maior feira de arte contemporânea da América Latina, com uma seleção de trabalhos de Andrey Zignnatto, Daniel Jablonski, David Magila, Feco Hamburger, Heleno Bernardi, Pablo Ferretti, Pedro David, Sandra Mazzini e Stephan Doitschinoff. A feira acontece de 3 a 7 de abril, no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, em São Paulo. Estaremos no Stand A12. Veja a seguir obras selecionadas.

ANDREY ZIGNNATTO

Andrey Zignnatto, Intervalo (da série Recreio ), 2017, Ferro e madeira, dimensões variáveis

Andrey Zignnatto parte do minimalismo, do construtivismo e da arte conceitual para apropriar-se ou interferir em objetos e sistemas usados para a construção da “realidade”. Com obras que surgem de elementos prosaicos, facilmente encontrados em olarias ou construções sob as mãos de operários – como tijolos, palets, barro e objetos –, o artista une arte e vida, e convida o espectador a refletir sobre a relação instável e dinâmica que o ser humano estabelece com o meio que o cerca. Em seus trabalhos, Zignnatto promove uma síntese do embate entre a tradição e a contemporaneidade, e seus efeitos nas sociedades e culturas locais.

Em Tapete de Orações (2019), conjunto inédito de trabalhos em saco de cimento e tapeçaria, produzidos durante sua passagem pelos Emirados Árabes, o artista dá origem a obras que fazem referência a pequenos tapetes usados por devotos muçulmanos em suas preces diárias a Alá.

Intervalo é composta de balanços de playground recolhidos pelo artista numa zona atingida por bombardeios, ao norte de Damasco, na Síria. Integra a série de trabalhos Recreio, em que Zignnatto, que participa de rede internacional de defesa de direitos humanos, produz reflexões a respeito da linha tênue que separa o lúdico infantil e a violência do cotidiano de crianças em locais conflagrados.

Saiba mais sobre o artista aqui.

DAVID MAGILA

David Magila, Frequentes conclusões falsas 40, 2019, Acrílica, spray e grafite sobre tela, 150x200cm

Com formação em desenho e um estilo baseado em componentes gráficos, David Magila incorpora cada vez mais o espaço na sua poética pessoal, em desenhos, pinturas e  peças tridimensionais. Os vestígios de esvaziamento e abandono são temas recorrentes dos seus trabalhos, bem como as marcas de uma arquitetura ordinária e predatória e a sensação de desmanche e fragilidade, criando uma atmosfera de abandono e uma certa melancolia nos trabalhos. São fruto das caminhadas do artista nos subúrbios da metrópole, em registros que buscam um olhar original à realidade que o cerca. Saiba mais sobre o artista aqui.

DANIEL JABLONSKI

Daniel Jablonski, Hy Brazil, 2018, Pigmento sobre papel de algodão e metacrilato, Políptico de 6 – 37,5 x 60 cm (cada)

Daniel Jablonski traz à SP-Arte Hy Brazil, políptico constituído de capturas de tela de computador com os resultados de uma extensa pesquisa feita na Internet sobre uma ilha fantasma situada na costa da Irlanda. Chamada Brazil (ou Hy Bressail, O’Brazil, Brazil, Bracil, Bracir, entre outras variantes) muito antes da descoberta do país sul-americano, a ilha esteve presente nos mapas náuticos entre 1325 e 1870. Foi apenas no fim do século 19, após inúmeras tentativas frustradas de encontrá-la, que a cartografia moderna determinou que ela havia sido confundida com um simples rochedo presente naquela região. Hy Brazil ocupou um lugar na imaginação popular como um lugar maravilhoso, porém inalcançável. Sua presença nos mapas deu origem à diversas teorias sobre a misteriosa ilha e seus habitantes; falou-se tanto de uma civilização avançada tecnologicamente, quanto do local de origem de povos milenares. Ao apresentar milhares de resultados a respeito de algo que inexiste, a Internet aparece como ferramenta para a difusão de novas e velhas mitologias, onde persistem e proliferam fantasmas primitivos do desejo e da imaginação. Saiba mais sobre o artista aqui.

FECO HAMBURGER

Feco Hamburger, Almagesto 2, 2019, Impressão UV sobre filme reflexivo, aço e ACM, 100 cm de diâmetro

 

Feco Hamburger, Almagesto 1, 2019, Impressão UV sobre filme reflexivo, aço e ACM, 100 cm de diâmetro

Feco Hamburger parte da fotografia para explorar o encantamento do homem com a ideia de si e do cosmos, uma temática que o artista renova a cada série de trabalhos. Na série Almagesto, explora a relação entre luz, objeto e subjetividade, em uma operação que se dá no espaço elástico da percepção. Composta por tinta UV monocromática sobre filme reflexivo, em que a variação de luz torna o preto em branco e vice versa, o artista explora, nessa série de trabalhos, a latência e a vibração. Trata-se de uma obra à espera de seu desvendamento: a cada visada – o movimento do espectador – obtém-se uma leitura. Assim, a experiência sensorial proposta pelo artista extrapola a dimensão visual, e nos deparamos com um corpo vivo, que se manifesta na dinâmica simples da variação de reflexão da luz e, ao mesmo tempo, na complexa operação de apreensão do objeto. A pesquisa do artista encontra em Almagesto sua máxima potência, já vista em trabalhos anteriores: a de fazer visível, através da fotografia, uma realidade que nos escapa. Saiba mais sobre o artista aqui.

HELENO BERNARDI

Heleno Bernardi, Sem título, 2019, Acrílica, esmalte acrílico e spray sobre tela, 190 x 290 cm

Se, em uma determinada vertente de trabalhos, Heleno Bernardi reflete em sua pintura o confronto físico entre o espectador e o tecido urbano, incorporando nas obras a ideia de mapas, trajetos, deslocamentos e sinais, em sua produção mais  recente, a sobreposição – e a autonomia – da cor surge como elemento primordial de investigação. Ao se sobrepor aos demais elementos da obra, ultrapassando os conflitos entre representação e abstração, as trilhas de cor de Heleno reverberam e potencializam ainda mais os contextos sociais e urbanos instáveis da narrativa do artista – criando cenários puramente pictóricos, tecidos cromáticos carregados de beleza, energia e tensão. Saiba mais sobre o artista aqui.

Heleno Bernardi, Sem título, 2019, Acrílica, esmalte acrílico e spray sobre tela, 200x130cm

LUCIANA MAGNO

Luciana Magno, Coragem da verdade, 2019, duas alianças em ouro, dimensões variáveis

A artista paraense radicada em São Paulo, onde vive e estuda, leva à SP-Arte 2019 A coragem da verdade, duas alianças – coroas? – farpadas, em ouro, a artista paraense, radicada em São Paulo, faz uma pungente reflexão sobre as relações humanas. “A coragem da verdade fala sobre o exercício cotidiano do escândalo da verdadeira vida”, define a artista. “O nome vem do ultimo curso ministrado por Michel Foucault, poucos meses antes de sua morte, quando ele questiona a função do dizer a verdade e propõe um estudo renovado do cinismo antigo como filosofia pratica. O objeto em ouro, as alianças farpadas, a cerca, é sobre essa dupla via espinhosa da comunicação do externo e do interno e do exercício continuo da verdade para consigo e para com o outro. A coragem da verdade é sobre possibilidades, por vezes dolorosas, na pratica cotidiana. Afinal a coragem pressupõe franqueza”.

O trabalho da artista inclui ainda fotos e vídeos, como a série Orgânicos, desenvolvida há seis anos, em que Luciana registra a simbiose entre o corpo da artista e o meio ambiente, ora em comunhão epifânica, ora em registros dolorosos de cunho político e social. Um exemplo é o vídeo Belterra (abaixo), em que Luciana abraça nua uma seringueira na Floresta Amazônica, incorporando-se ao látex extraído da árvore e utilizado no processo de fabricação da borracha, atividade historicamente ligada à economia e à vida das populações locais.

SANDRA MAZZINI

Sandra Mazzini, Sem título, 2019, Óleo sobre tela, 190x135cm

Sandra Mazzini revigora a nova pintura brasileira a partir de elementos clássicos, como o grid modernista e a pintura afetiva de paisagens e cenas bucólicas. Seu grid, no entanto, é desconstruído em uma miríade de elementos autônomos, de efeito caleidoscópico. Sandra vem pouco a pouco aprimorando sua técnica a partir de pesquisa de cores, como o douramento de pinturas medievais, que vai sendo incorporado nas novas produções. O resultado é uma obra que oscila entre o deslumbre visual e o racional, o que confere originalidade e potência à sua produção. Saiba mais sobre a artista aqui.

STEPHAN DOITSCHINOFF

Stephan Doitschinoff, O Diabo (Busto), 2015, Acrílica sobre tela, 200 x 300 cm

Stephan Doitschinoff retorna ao circuito de galerias e feiras de arte no Brasil após incursões por instituições internacionais e nacionais relevantes, tais como o IMMA (Irish Museum of Modern Art, Irlanda), Museum of Contemporary Art San Diego (MCASD, Estados Unidos), Foundation Cartier (França),Museu de Arte de São Paulo (MASP), MAM ( Museu de Arte Moderna de São Paulo) e CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil). Stephan apresenta uma produção consistente e madura, que se desdobra em pintura, escultura e instalações até a arte pública, vídeo e performance. Seu trabalho oscila entre o rigor técnico e o caráter experimental, explorando um léxico pictórico baseado em uma proliferação de ícones de sentido religioso, político, urbano e folclórico. O que seria uma narrativa visual impregnada de referências dogmáticas é, no entanto, subvertida, dando lugar a uma reflexão e crítica alegórica a todas as formas de poder. Saiba mais sobre o artista aqui.

Stephan Doitschinoff, Jurema Preta com Enteógenos I, 2015, Acrílica sobre tela, 122 x 93 cm

 


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