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A aventura da fotografia, na exposição furo, de Jordi Burch

17 de August de 2018 • Exposições, Jordi Burch, Notícias

Sem título, 2017, Pigmento sobre papel de algodão, 100 x 70 cm

Na exposição Furo, artista volta-se à investigação da linguagem fotográfica; registros tomam o próprio suporte como tema

O artista Jordi Burch fotografa. Seus registros não apenas refletem o esgotamento da estética realista, pautada pela ideia de representação, mas revelam a importância do processo e do gesto na produção de imagens. Em Furo, exposição individual que apresenta entre 16 de agosto e 02 de outubro na Janaina Torres Galeria, o fotógrafo português se aventura em um percurso investigativo pela linguagem fotográfica.

Com curadoria de Marta Mestre, a mostra reúne 14 fotografias e 1 vídeo, resultado de uma pesquisa ainda em curso do artista. Nela, ele explora as múltiplas possibilidades da prática fotográfica, voltando-se, muitas vezes, para o processo do fotografar e para a própria matéria, sem ater-se, necessariamente, a fins e objetos específicos.

Na primeira série, um pequeno círculo se desloca, quase indistinto, sobre um fundo claro. Concebida a partir do processo de quimigrama, no qual a imagem é criada no ato da revelação, a sequência de 5 fotografias surge não pelo funcionar de uma câmera, mas por uma intervenção manual – tal como num desenho –, no próprio suporte do papel fotográfico.

“É de ensaio que esta exposição trata.  Jordi Burch aposta em uma pequena unidade de sentidos sobre o caráter latente da matéria fotográfica – essencialmente luz e tempo -, e convida o espectador a refazer mentalmente os nexos deste vocabulário provisório, entre índice e paisagem”, pontua a curadora.

Em um novo conjunto, tem-se, à primeira vista, uma paisagem marcada pela justaposição de duas figuras cônicas: as fotografias colocadas à frente do interlocutor se assemelham a vultos de montanhas. Também produzidas pela técnica do quimigrama, as imagens são transpostas pelo artista a uma página de caderno, em um claro questionamento acerca dos limites da fotografia.

Jordi Burch, Sem título, 2017, Pigmento sobre papel de algodão, 80 x 60 cm

Em outra obra, a imagem de um quarto. Sobre o chão e a cama, fragmentos do teto. Jordi faz o registro não de um instante único, determinante, mas de uma ação transcorrida. O momento aqui já não importa e a fotografia suporta em si uma história – várias histórias.  O que terá ocorrido para que o teto cedesse? Quem estava no cômodo?

Os registros de Burch despertam estranhamento e devaneio, convidando o visitante a deslocamentos vários. É o que ocorre, por exemplo, quando diante de uma imagem negra – negativo de uma foto mal sucedida. Nela, restos de poeira se somam a impressões digitais criadas pela manipulação da própria película, dando origem a um céu noturno, completamente tomado por estrelas.

Uma seleção de Furo também será apresentada pela Janaina Torres Galeria na 12ª edição da SP-Arte/Foto. O evento acontece entre os dias 22 e 26 de agosto, no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, reunindo em um único espaço alguns dos principais nomes da fotografia contemporânea.

Jordi Burch, Sem título, 2017, Pigmento sobre papel de algodão, 135 x 107 cm

Sobre o artista

Nascido em 1979, em Barcelona, na Espanha, Jordi Burch foi para Portugal aos três anos de idade e lá iniciou sua prática artística.  Há cerca de oito anos vive e trabalha na cidade de São Paulo. O deslocamento é uma constante em sua obra. O tema surge em termos espaciais, entre cidades e países, e no trânsito do olhar e dos sentidos do espectador.

A cada novo projeto, o artista busca um diálogo entre a memória e o instante presente, criando ressignificações em sua fotografia. Por meio de interpretações do espaço, da literatura, da arquitetura e do indivíduo, seu trabalho forma uma grande atmosfera que diz respeito à coletividade.

Burch participou de residências artísticas em renomadas instituições, como o Triangle Network e o Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa. Foi membro do coletivo de fotógrafos Kameraphoto desde seu início, em 2007, até seu fim, em 2015.

Apresentou exposições individuais em espaços como a Fundação Iberê Camargo, de Porto Alegre (2018); Museu AfroBrasil, de São Paulo (2013); Centro Cultural de Luanda, da Angola (2010); e Casa Fernando Pessoa, de Lisboa (2007). Integrou mostras coletivas no Centro Cultural de Belém, em Portugal (2017); Bienal de Arquitetura de Veneza, na Itália (2016); Festival Valongo, em Santos (2016); Fundação EDP, de Portugal (2011); Photo España, de Cuenca, na Espanha (2011);  Paraty em Foco, de Paraty (2009) e na Fundação Eugénio de Almeida, de Évora, em Portugal (2009).

Furo, individual de Jordi Burch, com curadoria de Marta Mestre

Local: Galeria Janaina Torres
Endereço: Rua Joaquim Antunes, 177 / cj 11, Pinheiros
Abertura: 16 de agosto, quinta-feira, das 19h às 22h
Período expositivo: de 16 de agosto a 02 de outubro
Visitação: de segunda a sexta, das 10h às 19h e aos sábados, das 11h às 15h

SP-Arte/Foto 2018
Preview: 22 de agosto (apenas para convidados), das 11h às 22h
Aberta ao público de quinta a sábado (23, 24 e 25), das 13h às 21h; e ao domingo (26), das 13h às 20h
Shopping JK Iguatemi | 3º piso
Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 – Vila Olímpia, São Paulo, Brasil

Mais sobre Jordi Burch
Página do artista: Jordi Burch
As durações do rastro (Revista Zum)
O rosto da paisagem (Museu Afro Brasil)


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