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Três perguntas para Marcus André

16 de November de 2018 • Entrevista, Marcus André

O artista Marcus Andre, ao lado de obra de sua produção recente

Surgido na constelação da Geração 80, que definiu novos caminhos para a arte brasileira do final do século 20, Marcus André segue fiel em seu propósito de criar lugares imaginados e construídos, em séries de pinturas se desdobram e, por vezes, se cruzam. Sua pintura tem “a rara habilidade de pagar o tributo inevitável à história da arte, sem permitir que ela domine a cena de tal forma a eclipsar a arte do presente”, como definiu o crítico Paulo Sérgio Duarte, e para saber mais sobre isso, fizemos três perguntas ao artista.

Como vai você, que surgiu na Geração 80 da arte brasileira? Como vê a pintura e quais os desafios hoje?
A mostra Geração 80: Como Vai Você?, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1984, foi realizada em um momento muito especial de nossa recente história da Arte. Não somente pelo período sociopolítico, mas pelo que vinha acontecendo no final da desada de 60 e durante o período particularmente do final dos anos 70, períodos estes onde os conceitos procediam da pintura, porém na prática havia uma descrença sustentada por uma ideia que a pintura trazia com ela uma individualização da atitude artística contrária as experiencias coletivas e sensoriais no espaço nas propostas do grupo neoconcreto. O momento presente não delimita contradições de posturas , ou idéias , as linguagens se misturam, e até sugerem algumas atitudes pós-mercado (commodities), ou construtivas, paisagens, etc. O que importa me parece, é que cada pintura em si pretende uma autossustentação, voltando a requerer critérios de qualidade e continuidade em relação as referencias da história da Arte recente, ou a modernidade. Ou seja, são muitas as vozes e todas falam ao mesmo tempo. 

Marcus André, Sem título, 2018, Encáustica e têmpera sobre tela 86 x 94 cm

Seu trabalho se caracteriza por séries extensas, como Chicama e Hallways. Temos agora novos caminhos na produção recente. Quando você descobre que é hora de mudar o tema, e avançar?
Minhas Séries ou Grupos recebem nomes já bem no final do período que as produzo. Antigamente isso tinha o nome de fase, ou período. Eu simplesmente vou dando nomes de lugares, ou alguma coisa que recorte aquele conjunto.

Marcus André, peças da Série Hallways, 2017, encáustica sobre madeira 32 x 38,9 cada

O pictórico, ou seja, a consideração sobre a linguagem da pintura, convive com o elemento decorativo de forma bastante eficaz em seu trabalho. Como você vê essa relação?
No passado, Arte Decorativa era considerada como um conjunto de procedimentos técnicos que definiam utilização em trabalhos ornamentais ou funcionais relacionados ao trabalho manual, popularmente chamado de Craft. A pintura no passado se destaca como técnica e se eleva a condição de Arte. Esta condição básica só vai mudar novamente no início do modernismo. Minha formação é gráfica, gravura em metal. Utilizo técnicas que procuro manter na condição do plano da pintura, sem a necessidade de que se tornem tridimensionais. No meu fazer, emprego pintura encaustica e resinas, materiais que remetem a um período em que o fazer ainda não era Arte.

Marcus André, Sem Título (série Chicama), têmpera e encáustica sobre tela, 94 x 240 cm

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Página do artista
Instagram (andre_marcus)

 

 


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