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Toque Aquela Música: Daniel Jablonski entre imagem, corpo e som

16 de December de 2017 • Daniel Jablonski, Notícias

Pode uma música ser utilizada como um dispositivo físico, plástico, narrativo — para além do campo do que convencionalmente chamamos de música?

“Toque Aquela Música” é um evento de arte sonora, no espaço BREU, em São Paulo, cujo ponto de partida é uma performance do artista Daniel Jablonski, que recupera alguns elementos de sua formação musical prévia, para interrogar outros usos possíveis do som.

A tal interrogação respondem ainda os convidados Alexandre Gwaz, Stefanie Egedy, Gustavo Torres e André Damião.

Frutos de investigações muito diversas, suas performances tem em comum, no entanto, o fato de operar nesse limiar da música — entre imagem, corpo e som — sem nunca (ou quase nunca) configurar-se como tal.

Elas respondem, cada uma à sua maneira, como todas as obras da arte sonora, àquela provocação inaugural feita por John Cage no já longínquo ano de 1937:

“Se esta palavra ‘música’ é sagrada e reservada aos instrumentos do século XVIII e XIX, podemos substitui-la por um termo mais significativo: a organização do som”.

Daniel Jablonski e Alexandre Gwaz

Composta apenas por uma bateria e equipamentos de captação de som, a performance inédita de Daniel Jablonski será executada e gravada ao longo de três horas pelo artista e um por operador convidado (Alexandre Gwaz), resultando posteriormente em um disco de cinco faixas contendo também o som do ambiente (eventuais aplausos, conversas do público).

Trata-se, por meio desse dispositivo performático, de recuperar a história da banda de juventude do próprio artista. Esta nada tem ou teve de excepcional; pelo contrário, é o seu caráter absolutamente “comum” que a torna relevante.

Ela reuniu, há exatos dez anos, jovens com pretensões artísticas ainda em formação e terminou como tantas outras bandas: por motivo de brigas e desentendimentos entre amigos. E, neste caso em particular, deixando ainda um contrato por assinar com uma gravadora e composições e arranjos prontos para um segundo CD que nunca foi gravado.

A performance consiste, portanto, na gravação ao vivo de um disco inédito de uma banda “qualquer”, a partir do ponto de vista de um único ex-integrante: o baterista / artista. Mas ela começou muito antes da gravação: pois envolveu todo o processo de re-aprendizado do instrumento pelo artista, sem contato com música há dez anos, unicamente para esta ocasião.

Forçando o corpo de volta ao vigor do passado, a performance busca acenar para o caráter quase mítico da “banda” como esse primeiro lugar de encontros, afetos e trocas entre amigos. Mas também, por um óbvio jogo de ausências, para a turbulenta passagem à vida adulta, muitas vezes sufocando esses impulsos, desejos e iniciativas da juventude.

Toque Aquela Música

BREU
Rua Barra Funda 444, 0115200 São Paulo
02 de dezembro
16h às 21h

Mais sobre Daniel Jablonski

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