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No Ateliê: Kika Levy

20 de October de 2017 • Ateliê, Kika Levy

Encontramos a artista Kika Levy em seu espaço criativo para falar sobre seus novos desafios e sua rotina de trabalho – e de como a delicadeza e a precisão de suas obras está refletida no seu entorno de plantas e sementes.

Pergunta: Qual é a temática central dos seus novos trabalhos?
Kika Levy: Mantenho a pesquisa das estruturas das plantas, por meio da impressão das próprias folhas, onde se revelam essas estruturas. Dentro das paisagens, estou trabalhando diferentes atmosferas em uma mesma matriz, as possibilidades de impressões e sobreposições.

Como está sendo a transição da gravura clássica, bidimensional, para as atuais instalações?
Para criar um desenho, uma gravura, estou sempre cercada de plantas e sementes, dispostas em tubos de ensaio e outros recipientes químicos que servem de vasos ou suporte para observação. Tenho sempre lupas à mão para poder captar cada detalhe. Essas instalações, na verdade, fazem parte do modo como me organizo no atelier e naturalmente, elas estão ocupando mais espaço.

(Veja os trabalhos de Kika Levy na página da artista)

As plantas são um elemento constante nas suas obras. Como elas te instigam?
Busco a compreensão da natureza, tentar entender como são as estruturas. Estou sempre à procura da geometria visível e invisível da matéria.

Se você pudesse passar horas conversando com um artista que admira, com quem seria?
Olafur Eliasson

O que você está lendo no momento?
O Caminho de Guermantes – Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. Para mim é um resgate da observação longa e detalhada. Muito me incomoda nosso ritmo acelerado hoje em dia, comecei a notar que não temos mais tempo nem para descrever alguma coisa para alguém; com a facilidade hoje de ter sempre uma imagem na palma da mão nos celulares e tablets, nós deixamos de fazer o exercício de descrever alguma coisa, é muito mais rápido mostrar uma imagem, e com esse excesso de imagens, nem conseguimos absorvê-las.