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No Ateliê: Gabriel Pitan Garcia

17 de August de 2018 • Ateliê, Gabriel Pitan Garcia

Gabriel Pitan Garcia inaugura no sábado, 27 de maio, o Espaço BREU, que reúne ateliês de jovens artistas – incluindo o seu – e espaço cultural. Ouvimos o artista sobre sua rotina “sangue nos olhos”, de troca intensa e muita produção.

O Espaço BREU, seu novo ateliê, é compartilhado com cinco artistas. Como funciona esta troca?
Gabriel Pitan Garcia: A primeira vez que compartilhei o atelier foi na extinta “Casa dezbarradoze”, que foi um momento de compreensão acerca da possibilidade de discussão de trabalhos e ideias durante suas execuções. Dividíamos uma casa abandonada, que nos foi emprestada por seis meses, em vinte jovens artistas. Quando encerramos as atividades por lá, cresceu a vontade de desenvolver um outro projeto com mais cinco pessoas: Virgílio Neto, Pedro Ivo Verçosa, Rafaela Foz, Júlio Lapagesse e Renata Casagrande. Surgiu o BREU, um atelier expandido: além dos espaços de cada artista dentro do galpão, temos dois grandes vãos onde desenvolveremos projetos culturais diversos. Podemos tocar a produção individual e apresentar um espaço de discussões de possibilidades coerentes em arte, aberto para qualquer um que quiser se aproximar. Para mim, o mais jovem dos artistas de lá, tem sido importantíssimo viver essa rotina trabalhosa e “sangue nos olhos”.

Qual é a temática central dos seus novos trabalhos?
Tenho refletido muito sobre o contexto em que me encontro – como um jovem artista se insere aos poucos no meio das artes – e o que isso significa quando penso na relação desse meio para/com a construção político-social contemporânea de um modo geral. Minha produção tem circundado em muitas das questões que vão surgindo nesse tatear com o sistema de arte, como, por exemplo, a estabelecida busca por uma erudição de linguagem dentro de uma nação que praticamente não lê, além da percepção de uma ambiguidade presente nas ambições que motivam minha inserção nesse sistema. A temática dá-se através dessas dúvidas e questionamentos.

Se você pudesse passar horas conversando com um artista que admira, com quem seria?
Se vivo, com o espanhol Santiago Sierra, que acredito ter um trabalho potente e coerente com o fenômeno da violência social atual. Se morto, com Chris Burden: admiro muito sua pesquisa. As possibilidades de linguagem que buscou em sua carreira – utilizando a televisão aberta, por exemplo – foram importantes para se pensar em um fazer artístico que não se voltasse somente ao seu próprio público “qualificado”, “especializado” em artes.

O que você está lendo no momento?
Estou lendo o livro “Crash”, do escritor inglês J.G. Ballard. Foi uma recomendação do Pedro Ivo Verçosa, quando discutíamos as distintas relações que surgem da imagem de um acidente catastrófico de carro. Após contar a ele minha vontade de desenvolver essa situação como linguagem poética em uma obra, me emprestou o livro.

Quem é Tia Andréa das suas obras? Ela é sua tia verdadeira?
Tia Andréa é uma pessoa de minha família com a qual não tenho praticamente relação nenhuma. Quando a encontro, uma vez a cada dois, três anos, é carinhosa de seu jeito, tem a voz calma e doce. Não nos conhecemos direito, mas os misticismos que sua figura me traz fazem com que seja uma pessoa fascinante. Amo ela demais.

O que ela achou de ser homenageada?
Ainda não contei a ela, e acho que ela não foi atrás.

 


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